sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Agonia


De toda a alegria, a palavra que mais tem pesado minhas preocupações é a agonia. Agonia pela espera, pelas decisões que não estão nas minhas mãos e pelas que estão. Agonia que se junta à incerteza e rouba meu sono. Agonia e frios na barriga que fazem meu coração trepidar. Agonia!
Eu sei e você- que sou eu defronte à consciência- também sabe que um dia essa agonia acaba e dá espaço a uma nova. E que a gente vai aprender a manter o controle e não enlouquecer tanto assim.
Quando quiser desistir, lembre-se de tirar um tempo pra você, pense no que você foi um dia, no que se tornou. Reveja os planos e mude-os se calhar. Em seguida não pense em nada. Apenas acalme-se.
Você não escolheu que fosse assim, mas de certa forma, isso se tornou vital. E não é ruim porque você descobriu muitas coisas boas no meio do caminho e porque existe algo realmente especial ali na frente esperando pra acontecer.
Você sabe como são as coisas... tempo é tudo o que precisamos, pra planejar, colocar em prática, viver os resultados e recomeçar as vezes que a vida permitir.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Andei pensando em nós, na nossa vida. Assim no plural, que é pra amarrar sua história na minha. Pra colarmos nossas mãos e juntos protagonizar os próximos capítulos.
Materializei você ao meu gosto. Te desenhei num papel bonito, dobrei e guardei no bolso que é pra te carregar comigo, pra que você veja por quais caminhos eu faço futuro. Quis estar no seu bolso também, saber das coisas que você gosta, das que você desaprova. Mais que isso, eu quis muito olhar nos seus olhos.
Eu quis conhecer o limoeiro do seu quintal, sentar debaixo, falar da vida. Quis que você colocasse em palavras o que sente, que falasse com música. Eu quis a caixa de email com uma novidade às quatro da tarde, um botão de rosa sem data marcada. Eu quis um abraço apertado de saudade e um afago suave de quem não tem pressa.
Eu quis te encontrar num dia desses qualquer, alimentei a sua espera e até sonhei com você.

domingo, 18 de julho de 2010

Para você...



Faça sempre o que você fez noite passada, ponha no papel essa agonia que carrega no peito. Jogue fora o peso das perguntas que não possuem respostas. Organize o armário, a agenda, a vida.
Não destine a mim todo o sentimento, mesmo que eu te goste, vou virar frustração um dia. Olhe bem a minha cara lavada, não sou feita de vidro. Não consigo - nem quero - materializar essa sua verdade inventada.
Ame algo na vida que seja só seu. Se ame acima de tudo. Não ponha seu coração à venda a um mau pagador. Doe-se sem se perder. Construa o futuro agora, não o coloque nas mãos de uma pessoa qualquer. Não espere a grande chance, ela se encontra diante dos seus olhos se você souber olhar.
Um dia, quero te ver num futuro bom, e sei que não vai demorar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010



Revirar as gavetas me fez ganhar de você uma visita distante. Aquele velho álbum de fotografias me levou para uma viagem há um tempo quase presente, psicologicamente antigo.
Tem muitas coisas que eu queria que você soubesse, mas nosso português tem significados diferentes agora. Só conseguimos nos comunicar por gestos: Você veste sua armadura e eu recuo. Nos olhamos pedindo convite para um papo bom. Não conseguimos.
Eu escolheria a distância geográfica se pudesse receber de você qualquer mensagem de boas novas, qualquer sinal de fogueira. Só pra saber que é você ali, e se lembrou de mim. Compartilhou um riso, uma lágrima, frustrações, euforias e tudo mais.
Você se lembra do primeiro show que fomos? Certas alegrias baratas costumam valer uma vida. E quando você chorou sua primeira dor de amor, foi comigo que voce abriu o peito e escancarou todo o sentimento. Chorou, xingou e seguiu. Quando foi a minha vez, nem precisei chamar e você já estava lá.
Chegamos ao futuro enfim, e o que mais me entristece é ter que te deixar no passado.

quinta-feira, 15 de julho de 2010



Não, eu não estou brava com você. O problema é esse tempo que passa rápido demais, que me obriga a apertar o passo. São os ponteiros do relógio gritando: o futuro começa agora. É sempre a mesma história. Fico exausta quando o assunto sou eu, é você, é essa confusão que a gente se causa.
São tantas decisões que no fim das contas, por medo, adio aquele abraço que ensaiamos tantas vezes, amarro num laço as palavras que tenho vontade de te dizer. E você sabe. Você me lê em cada gesto.
Eu te confundo. Você não entende, revolta. E então te peço: por favor, não brigue comigo! A luta não é minha, é com o tictac que não pára. São as folhas do calendário virando insistentemente. Mas ouça! Tudo muda. Um dia a gente senta na calçada, brinca com o tempo. Um dia a gente segue rumo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Trilhas da semana.

Simone - Migalhas
Oswaldo Montenegro - Intuição, Metade, Andança
Julinho Marassi e Gutemberg - Aos meus heróis
Los Hermanos - Conversa de botas batidas
Maria Bethania - Grito de alerta
Belchior - Medo de avião, Saia do meu caminho

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Eu perdi todas as minhas certezas, se alguém encontrar diga que preciso delas aqui, comigo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Amanhã


Eu poderia te falar das esperanças que ando cultivando e daquelas que eu já não tenho mais. Eu escolheria por horas um abraço, mas tem sempre a vida dando o sinal de alerta: acabou o recreio. Eu arriscaria um poema, uma música, um sorriso, não soasse confissão. Eu brincaria menina, não fossem as responsabilidades chamando mulher. Eu desistiria desse jogo de engolir meias mentiras que os adultos inventaram por comodidade. Eu imaginaria as pessoas como Lennon imaginou: living life in peace. Eu reencontraria os sonhos, eu os defenderia com mais verdade. Eu me lembraria - mesmo que por um instante - que existe uma palavra, um dia, que faz toda a diferença: amanhã.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

What the wind says when she cries?

O cenário é justamente esse: choro aqui dentro, vento forte lá fora. Meus milagres foram desfeitos e então o vento tocou a alegria quiçá pros próximos capítulos. Páginas novas, recomeço. Tudo isso que chamo de esperança. Que hoje me faltou. Fim do dia, fim do fim. Que venha o amanhã, mais sereno, ameno.
Eu não sei da onde veio essa poeira que me embaçou a vista, só sei que desejei ver as coisas com mais clareza. Desejei, por alguns instantes, que o dia de hoje fosse algum conto mal escrito solto por aí. Depois entendi, a rajada de vendo levou embora o meu castelo de cartas de baralho, tudo que ela quer é reconstrução. E eu, egoísta que sou, nao vou dar chance ao fracasso.

domingo, 30 de maio de 2010

Não consigo repreender ninguém num abraço. Faço do riso um sinal, destinado a poucos. A poucos por que é muito. E os olhos, verdinhos, vivos, fazem confissões num riso decodificador. E eu, num pedido faço disfarce.